Poesia

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    agonizo

      minha mente viaja entre o passado e o futuro a toda hora. ela vai e volta, sem parar. culpa e ansiedade andam de mãos dadas. culpa pelo que não foi perfeito. anseio pelo que ainda não há. viro escrava dos dois grandes senhores: Passado e Futuro. então, fecho os meus olhos, inspiro profundamente e curvo-me diante do Agora. entrego-me a ele e imploro que me leve para longe daqui. de repente, não toco mais o chão. estou rodopiando nos braços do tempo, na valsa deliciosa e surpreendente da vida.

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    Você

    Eu poderia estar perdido; Eu poderia estar acabado; Eu poderia estar marcado Para morrer; E então veio você, Você veio E eu já não mais pensava nisso. Que eu poderia ter fugido; Que eu poderia ser banido; Que eu poderia viver bandido E roubar você. Só você. Para o meu querer. Mas eu poderia não ter me escondido; E eu poderia não ter perdido; Já que eu poderia ter escolhido Morrer Por você. Pra você. Sempre Você. ~ Bela Paranhos

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    Cartas para o Sol

    Bom dia, Sol Há tanta coisa lá fora E mesmo aqui dentro irradias assim. Bom dia, Sol, Eu vejo o mundo agora E toda essa gente que habita aqui; Gente ignorante, Gente que a gente não deveria ser; Nada importante, Nada que a gente queira saber. E agora, Sol, A nossa ingenuidade e simplicidade já não existem. E agora, Sol, Olho pra esta cidade Vejo que os meus olhos estão tristes; Perderam a sintonia E nossa melodia já foi melhor; Agora chega a Noite E ela leva embora o imenso Sol. Querido Sol, Penso em nossa amizade e cumplicidade; Que saudade. Querido Sol, Éramos velhos amigos, Passávamos horas sorrindo; Você…

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    Canção Solene

    Quando a chuva chegar Pra lavar minh’alma E varrer as artérias, Estarei à espera E cantarei uma canção triste, Porque tudo o que existe Não passa de uma ilusão Refratada nas pequeninas gotas Que vêm da amplidão; Eu cantarei uma canção E será honrosa à chuva, Solene ao seu poder De tornar minha vida turva E de me dar um novo amanhecer. ~ Bela Paranhos

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    Sussurro

    Sonhei que um dia viajei em meio à escuridão E as estrelas, lá no céu, me davam direção. Quanto mais alto escalava o infinito, Mais distantes elas ficavam do alcance de minhas mãos. No silêncio do vazio, Quem sussurrava era minha pulsação: Um, dois, três, quatro; Solidão me acertou Em cheio no meu coração Nessa onírica amplidão. Sonhei que um dia me perdi em meio a uma multidão E tive que me encontrar; Achar a direção Olhos, bocas, risos, trejeitos. Todos e ninguém; Calor e medo; Cinco, seis, sete, oito. Solidão me acertou Em cheio no meu coração Em meio aquela multidão E não havia um lugar Pra me esconder…