Poesia
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Cecília Meireles – Antologia Poética
Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, — não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: — mais nada. (Motivo, Cecília Meireles) Olá, pessoal! Tudo bem com vocês? Para quem leu o último post do blog (de séculos atrás), viu que uma das minhas últimas leituras foi a Antologia…
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Onírica Amplidão
Durmo; Me perco na amplidão; E neste passo Busco um ponto, Em que meu sonho Dure o encanto; E que as estrelas Brilhem no espaço, Contemplando o instante De cada momento. ~Bela Paranhos
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Sou Feita de Ar
Não há tempo; Não há paz; Nem acalento; Mas tanto faz, Sou filha da brisa, Tudo foge de mim; Perdida na neblina E em nevoeiros sem fim; Escapo das garras do vento E de toda a sua ira; E só me resta a rima, O lirismo descompensado E a medida irregular; Mas tanto faz, Sou filha da brisa; Sou feita de ar; E, traída pelo tempo, Flutuo à deriva. ~ Bela Paranhos
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Falho tanto
Outra vez, Tento entender; Procuro uma razão, uma explicação, Mas parece não haver; Outra vez, Tento impedir; Quando notei, já havia invadido minha mente E não pude fugir; Eu falho tanto; Eu tento tanto; Eu tento entender; Por que estou assim? Qual o motivo de tentar prosseguir? O que eu quero? O que vou conseguir? Eu tenho medo; Eu tenho medo; Eu tenho medo de perder a razão; Eu tenho medo de não poder controlar Aquilo que eu levo no coração. ~ Bela Paranhos
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Resta-me o sonho
Há mais alguém por aí Perdido em questões, Sozinho no tempo, Buscando razão? Há alguém pelo mundo Escalando montanhas De altitudes tamanhas Num nevoeiro de sonhos? Há alguém pelas ruas Contando estrelas, Criando histórias, Roubando a lua? Se não há mais alguém assim, Estou sozinho no mundo, Buscando no fundo Resolver tais questões. Mas tudo é vazio, O mundo é escuro, E em meio ao tumulto Só me resta o sonho. ~ Bela Paranhos
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Beira-mar
Cansada Da onda que ultrapassa minha cabeça E que leva o tempo para o litoral E eu permaneço a flutuar Sem tempo, sem cabeça, sem mar. Cansada Desta forma deselegante de onda Sem gingado, sem graça Que leva uma criatura disforme para a costa Sem postura, sem certeza, sem resposta. Cansada De pensar que um dia esta onda Já possuiu diversas cores à luz do sol E levava boas novas para beira-mar Sem lamentação, sem inconstância, sem medo de errar.~ Bela Paranhos …
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Azul
Nos teus olhos posso ver o céu, o mar e a amplidão; E os caracóis dos teus cabelos banhados pelo sol São como pequenas ondas Que me balançam, me embaraçam, me hipnotizam E me lançam de volta ao teu olhar. O teu sorriso é como um raio Que atinge o centro do meu peito E dissipa as nuvens Levando embora a tempestade de minhas emoções; Trilho passos nos espaços de teus dentes E calculo esta gritante distância Que nutre o meu sonho juvenil. A tua voz soa aveludada aos meus ouvidos E tem o poder de me desestruturar Me quebrar em pedaços, me jogar para o alto E me recompor,…
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Mais uma tentativa
Vaza, transborda Me rasga pela borda Meu grito reprimido pedindo socorro. Eu morro, me calo, me tranco, me julgo. Sob meu desespero abre-se um sulco De coragem, voz e ousadia. Mas, como um banho frio, A humilhação me desarma, me desatina Levando embora o velho orgulho E a tal chamada dignidade. Mas a verdade é que aprendo e entendo, a todo o instante, Como levar adiante Uma jornada sem prazo de validade. ~ Bela Paranhos (15/07/2014) Olá, pessoal. Tudo bem? Tenho estado muitos meses afastada do blog e isto tem me deixado bem triste. Mas a verdade é que tenho uma rotina de estudos cansativa e não sobra tempo para…
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Meu lar
Anseio por meu lar Estou submersa em águas menos densas que eu; Quero pôr meus pés em terra firme; E cavar com meus dedos num chão mais ameno. Quero repousar minha cabeça num travesseiro; E sentir que tudo se encaixa; Que tudo está em seu lugar; Ou pelo menos deveria estar. Contudo, o meu barco ainda segue sem rumo; O vento briga comigo. Ele é tão hostil. Não sei qual a direção a ser tomada; Nem quão profundas são essas águas. Só ficarei aqui. À espera. À espera de avistar terra firme. Paciência? Não. Esta não é uma das minhas melhores virtudes; Mas é a que me resta; Tenho que…
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Sonho. Não Sei quem Sou – Fernando Pessoa
Sonho. Não sei quem sou neste momento. Durmo sentindo-me. Na hora calma Meu pensamento esquece o pensamento, Minha alma não tem alma. Se existo é um erro eu o saber. Se acordo, Parece que erro. Sinto que não sei. Nada quero nem tenho nem recordo. Não tenho ser nem lei. Lapso da consciência entre ilusões, Fantasmas me limitam e me contêm. Dorme insciente de alheios corações, Coração de ninguém. (Fernando Pessoa)














