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Ciranda de Pedra, de Lygia Fagundes Telles

 

“Creio, sim, na sobrevivência da alma, mas isto porque sinto os meus mortos em redor. Eles continuam embora nenhuma força consiga governá-los. Mortos e vivos, estão todos por aí completamente soltos. E a confusão é geral” (p. 134).

Lygia Fagundes Telles usa da sutileza e genialidade para escrever seu romance de estreia. Publicado em 1954, Ciranda de Pedra utiliza de diversas metáforas e linguagem poética para contar a história de um grupo  peculiar. 

“Natércio amava Laura que amava Daniel. Virgínia amava Conrado que amava Otávia. Letícia amava Afonso que amava Bruna, que amava a Deus sobre todas as coisas.” (sinopse)

A história é contada sob o ponto de vista de Virgínia, de idade não especificada mas provavelmente entre infância e adolescência. Virgínia quer pertencer. Pertencer ã uma família, a uma roda de amigos, à confidência de segredos. Ela quer fazer parte de um todo. Não é nada fácil para a menina, que saiu da mansão do pai Natércio e agora vive com a mãe e o novo homem em sua vida. Bruna, sua irmã mais velha e devota a Deus, diz que o que a mãe fez não tem perdão. Otávia, a irmã do meio, tão perfeitamente imaculada, não parece se importar muito com a mãe que agora está louca. Ainda, as duas tem uma roda de amigos , brincadeiras e conversas fantásticas para as quais Virgínia nunca é chamada.

Enquanto isso, a garota usa a sua imaginação fértil para fugir do mundo, do novo marido de sua mãe, Daniel, que ela detesta, da própria mãe que parece piorar a cada dia, da saudade de casa e da vontade de fazer parte da roda de amigos de Otávia e Bruna.

A primeira parte do livro é excelente, passa muito rápido. Queremos cuidar da menina Virginia e protege-la de todos os outros personagens e dos acontecimentos terríveis que acontecem. 

Na segunda parte, encontramos uma Virgínia já crescida, marcada pelos traumas do passado e muito amargurada, querendo ferir aqueles que a rejeitaram.

Por diversas vezes, quis entrar no livro e chacoalha-la, faze-la despertar, dizer umas poucas e boas. Em outros momentos, tudo o que queria era coloca-la no colo e dizer: “eu sei bem como é”. Me vi muito em Virginia. A garota rejeitada que precisa provar ao mundo que é digna de valor. A garota que quer apenas pertencer.

Dentro do fluxo de consciência de Virginia, nos emocionamos e descobrimos aos poucos que essa Ciranda de Pedra, esse grupo de amigos metaforizados pelos cinco anões de pedra do jardim do casarão, não é bem o que pensávamos.

É uma história bela que vale muito a pena ser lida e que permanece em nossas lembranças por muito tempo.

Ciranda de Pedra

Autora: Lygia Fagundes Telles
Ano de Publicação: 1954
Editora: Companhia das Letras
Avaliação: 4/5

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